terça-feira, 14 de setembro de 2010

Aquilo foi desesperador!

É tudo inventado. O conhecimento é inventado. Só existem os objetos. O resto é imaginação.

O centro era velho, o centro fedia, o centro foi abandonado, quebrado, escarrado. Tudo era a perfeita simbiose entre o ser e a merda. Era triste. Fiquei com medo de ser morto, assaltado, currado. Eu devia ser um covarde. Imaginei alguém da região rindo de mim e dizendo que faz uma semana que não vê um assalto. Eu nunca vou ao centro e sempre vejo assaltos. Fiquei imaginando ratos saltando de cada bueiro escancarado. A calçada era enorme, mas os mendigos eram tantos que não cabiam nela. No local mais bonito acontecera a chacina da candelária. Fiquei imaginando crianças tomando tiros de policiais.
Finalmente cheguei ao CCBB. Um lugar lindo fantástico com lustres e tetos altos. Luz, segurança, limpeza e a sensação de estar em um lugar que foi feito para muitas pessoas. Não havia nenhum muro que separasse o centro cultural do centro cotidiano, no entanto ambos eram completamente diferentes. Num tudo brilhava no outro tudo fedia. O mais estranho é que as pessoas que andam no CCBB são diferentes das que andam lá fora. Elas não são mendigos, elas se vestem bem e têm barbichas. Dá para ver que são artistas e intelectuais. Se não são estão se esforçando para demonstrar que são. Entrei numa festa a fantasia!
Passou um show de bizarrices guardadas para outras histórias.
Depois sai, conversei, samba, bebida, mulher não necessariamente nessa ordem e não necessariamente com a mesma intensidade.
Eu também estou morto.

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