terça-feira, 27 de julho de 2010
sexta-feira, 16 de julho de 2010
invenções
terça-feira, 6 de julho de 2010
Análise pragmática da vida
Caíram três pedras. Não vi nenhuma delas. Não sei porque acredito nelas. Disseram-me que elas existiam, mas disseram-me também que elas não existiam, então não sei porque acredito nelas. Talvez eu não acredite. Deve ser isso. Esqueçam as pedras
Parte1,2 e Fim
Era tudo uma confusão. Não sei se na época eu chamava de confusão, pois não conhecia a ordem para comparar. Então um homem que dizem que eu devo querer matar e uma mulher que dizem que eu devo querer casar me convencerem que existia alguma coisa ali. Na hora pareceu uma boa idéia. Então surgiram muitas pessoas vindas da confusão e todas acreditavam que a confusão era uma coisa que elas entendiam a maior parte do tempo. Já comecei estranhando essas pessoas porque elas acreditavam em tempo. O que viria depois? Papai Noel e Coelhinho da Páscoa? Procurei pessoas mais espertas mesmo desconfiando que pessoas não existiam. As pessoas espertas eram estranhas, elas não respeitavam muito a confusão. Passei a fingir que a confusão importava. Ninguém gostava muito da maneira que eu tratava a confusão. Eu fingia que a confusão era simples enquanto todos gostam de fingir que ela é complicada. Acho que eu só conseguia fingir que a confusão era simples porque eu sabia que estava fingindo me importar com ela. As pessoas não sabem que estão fingindo e então complicam tudo porque tudo parece importante. Para mim muito pouco era importante. Então resolvi fingir que era tudo complicado também, mas me sinto mais idiota do que nunca. Não sei muito bem o que fazer agora. A maior parte do tempo continuo fingindo, mas na verdade foda-se
Propostas
Voar, reencarnar e dormir
terça-feira, 29 de junho de 2010
Deusa do nada
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Mentira que inventamos
domingo, 20 de junho de 2010
Os humanos o humano
As pequenas criaturas do medo assustam os humanos por dois motivos. Antes de tempos ancestrais elas já se banqueteavam com tudo que o homem desprezava. Uma fruta meio comida, uma carne apodrecida são deliciosos manjares para os esses seres da noite. Isso já desagrada o homem classificador que quer tudo hierarquizar. O homem quer estar no topo e sua mente se contorce de pensar que seres ancestrais possam se maravilhar com o que lhe causa asco. Os humanos querem que seus irmãos ratos e baratas sejam inferiores e infelizes, mas como botá-los nessa categoria se os humanos próprios não são felizes e se seus irmão mais velhos existem em número tão maior? Isso nos assusta, mas não é nada que não podemos ignorar como tanto o mais. O que nos assusta é que a despeito de comerem tudo o que jogamos fora, eles também não se incomodariam de comer o que temos. Um iogurte no lixo pode ser um prêmio para a barata, mas o que não seria um iogurte inteiro?
Nós moramos em casas bem fechadas com trancas, muros e de preferência com outros humanos fazendo guarda. Mesmo assim um serzinho noturno vem voando e se rastejando, entre canos e frestas, tubos e lixos até a segurança do nosso lar. Eles querem fazer ninho em nossas casas e se possível comer nossa comida ou nossos lábios. Revoltamos-nos é claro. Pegamos substâncias de morte, sapatos e terrores para espantá-los tendo muitas vezes sucesso. Mas sabemos que eles querem voltar. Que estão por aí os verdadeiros donos da cidade.
Esses pequenos seres que aumentam diante de nossa visão embotada de sentimentos pavorosos são frutos de nossa própria desgraça. Eles sempre existiram disso ninguém duvida, pois Noé lhes guardou na arca. Só que esses seres tenebrosos foram os únicos sobreviventes de nossa cidade, os outros frágeis animais não resistiram e nem resistiriam ao nosso ódio concretante por tudo o que há de natural. Por que justo as baratas e os ratos sobreviveram de tantos animais? Não sabemos, mas é certo que odiaríamos o que quer que tivesse sobrado. Os animais não nos obedecem o suficiente para viver em nossas cidades sem vigiarmos de perto, só os humanos tem tal peculiaridade. Não se iluda que no centro nevrálgico de nossas maravilhosas urbes um cão vadio pudesse sobreviver sem uma mão para lhe guiar. Cães vira-latas resistem somente em subúrbios onde algum terreno baldio sem utilidade pode lhes abrigar. Na cidade eles morreriam de fome ou comidos pelos ratos. O mesmo pode ser dito de gatos, macacos e tantas aves.
Na noite citadina, enquanto os homens dormem e os pesadelos passeiam pelas ruas, um ser sem nome dorme em bafo etílico. Dizem que ele é homem, mas ele talvez seja um pouco mais vivido para tão banal definição. Ele não pode comer o que comemos, não pode andar onde andamos, não pode entrar onde entramos. Se pensarmos com clareza veremos que ninguém lhe chama homem, mas sim mendigo. Dorme entre os pequenos pesadelos de baratas e ratos cosmopolitas.
domingo, 30 de maio de 2010
Corretor almofadinha maldito
O corretor de texto do word é um almofadinha ignorante. Ele despreza todos os palavrões. Não tem nem "fudeu" na porra do corretor. E fudeu é a palavra mais comum do universo. Não tem caralho, não tem porra não tem nada. Parece que sexo não existe para essa droga desse pudico corretor. E como se isso não bastasse ele também não conhece ninguém que presta. Escreve Bukowski no corretor. Ele vai sublinhar em vermelho afirmando, de sua maneira, que essa palavra não deve existir. Afinal de contas quem lê Bukowski? Escreve Kerouac, Neal Cassady, Ginsberg,... nada disso o corretor conhece. Você acredita que está tudo bem. O corretor não conhece nomes, deve ser isso. Mas não é! Escreve Descartes! Ele sabe escrever Descartes! Essa porra desse nome francês bitolado ele conhece, mas de arte e liberdade não tem nada. Sem sexo, sem palavrão, sem arte... Não poderia ficar pior!! Mas ainda é muuuito pior! O corretor reclama de todas as suas onomatopéias e todos os seus neologismos! Como alguém pode ser tão contra a arte??!!? Nadad de sons na escrita, nada de palavras novas. Se dependesse do corretor a arte seria trancafiada em seus malditos vermelhos sublinhados. Não!!! Ainda é pior!! O corretor acha que a porra do word precisa ser escrito com letra maiúscula. E isso está na parte de auto-correção. É isso mesmo ele automaticamente se acha um nome próprio. Ele se acha o bom e fica ressaltando seu próprio programa. Maldito! Em breve quando escrevermos Bill Gates ele vai auto-corrigir para Senhor Bill Gates ou vossa excelentíssima excelência senhor Bil Gates. Porra! Morte ao corretor almofadinha.