terça-feira, 5 de outubro de 2010

Batucada do não real. Quis dizer... Real

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Concentre-se no sentido
Vamos! Dê sentido para a coisa
Mantenha... a... concentração...
Isso não é um batuque
Isso é a coisa, a coisa se fazendo coisa
Percebe agora a força desse ser que não existe?
É uma loucuro eu sei
Mas quem disse que havia algo na vida que não era loucura?
Rearuaeuruaer
Demos riso, pois isso era a única coisa a se fazer
Estávamos mortos e eu ria disso
Estávamos mortos e eu ria disso
Estávamos mortos e eu era isso
Um outro ano
A música se repete sem fim, pois nós, meus caros não-seres, não existimos
Reaureaureauaeruaerureauearuaerureauraeureaurea
Morremos, morremos somos mortos
Fim acabou
Agora é se arrastar no chão e apodrecer
Vermes e novo pó
Seremos outro no outro mundo
Nosso ossos alimentarão plantas e tudo o mais
Nossos átomos serão usados para outras eternidades
Pena que nunca soubemos o que eram os átomos
Mas afinal o que nós somos mesmo?
Não sei!!!
Reaureaureuaeuraeuruaeurae
E ela vem rápida meus queridos mortinhos
Nos torna ossos lhes direi
Eu que há muito já morri de muito sei
Sei que somos nada
Sei que somos o não ser fedendo a carne
Não acreditam em mim?
Então vcs ainda não morreram
Ou não sabem que já morreram
Com certeza um dos dois
Eu sei
Foi o nada que me contou
Ops!
Quis dizer Deus

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Sol de Concreto

Nasce mais um sol de concreto. Esquentando o asfalto, incomodando mendigos bêbados e trabalhadores cansados. As baratas vão dormir e os motores começam a rugir. Pessoas marcham e reclamam do calor. Dinheiro sujo troca de mãos. Cortam-se unhas penteiam-se cabelos. Comem, cagam e pedem para o sol de concreto ir embora. O sol não se apressa, mas também não para, exceto se for para os judeus matarem os Jebuseus. Gritos, gritos, fumaça,
fumaça. O sol se põe. Gritos fumaça.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Aquilo foi desesperador!

É tudo inventado. O conhecimento é inventado. Só existem os objetos. O resto é imaginação.

O centro era velho, o centro fedia, o centro foi abandonado, quebrado, escarrado. Tudo era a perfeita simbiose entre o ser e a merda. Era triste. Fiquei com medo de ser morto, assaltado, currado. Eu devia ser um covarde. Imaginei alguém da região rindo de mim e dizendo que faz uma semana que não vê um assalto. Eu nunca vou ao centro e sempre vejo assaltos. Fiquei imaginando ratos saltando de cada bueiro escancarado. A calçada era enorme, mas os mendigos eram tantos que não cabiam nela. No local mais bonito acontecera a chacina da candelária. Fiquei imaginando crianças tomando tiros de policiais.
Finalmente cheguei ao CCBB. Um lugar lindo fantástico com lustres e tetos altos. Luz, segurança, limpeza e a sensação de estar em um lugar que foi feito para muitas pessoas. Não havia nenhum muro que separasse o centro cultural do centro cotidiano, no entanto ambos eram completamente diferentes. Num tudo brilhava no outro tudo fedia. O mais estranho é que as pessoas que andam no CCBB são diferentes das que andam lá fora. Elas não são mendigos, elas se vestem bem e têm barbichas. Dá para ver que são artistas e intelectuais. Se não são estão se esforçando para demonstrar que são. Entrei numa festa a fantasia!
Passou um show de bizarrices guardadas para outras histórias.
Depois sai, conversei, samba, bebida, mulher não necessariamente nessa ordem e não necessariamente com a mesma intensidade.
Eu também estou morto.

domingo, 12 de setembro de 2010

28/08

Caralho! Caralho! Agora sim estou escrevendo aqui nesta sala na frente de Buddah e de um espelho mágico com a árvore da vida e as luzes que ficam mais escuras e mais claras. Estou louco, louco e insano, mas quem não está?

Insanos em seus carros velhos e seu ar respirado. Ar velho e tossido ressequido distorcido perdido inaceitável irrespirável. O cúmulo do ar perdido numa noite desaurida e fudida.

Sons de canos nas paredes e de pessoas nas ruas, de insetos nas árvores e do meu próprio corpo no embrulho da carne. Todos os 4 ressoando sem sentido.
Sentido sem linho perdido no labirinto de um minotauro que nunca morreu. Ele está ali falando respirando. Pedindo seu sangue seu corpo e seu cú. Esteróides perdido numa noite louca.
A própria noite louca. Ela em si louca.
A força da natureza que nos envolve se retorcendo e maldizendo o não existir.
Dê uma mulher água-virtual-lágrima perdida cantada.
Pena que no final era tudo poluição.
Perdida Rejeitada
Cansaço de uma noite perdida.
Construída e descontrolada.
A vida é isso que vem e vai.
Suas mentiras verdades.
Seu belo meio termo.
Sendo seguido................
Sem sentido

Tanto respirar e tanta força.
Caminhos que vem e caminhos que vão.
Nações específicas e genéricas matando seus homens enquanto a maré vem e vai.
E alguém aspirando ao céu.
E vc vê o céu e esquece o céu.
Vem, vai, corre. É o próprio sentido da vida neste não sentido.
Dizer e desdizer com todas as minúcias até o próprio ar das palavras virar pó.
Então já seremos isso, sofrido, corrompido.
A essência o verme-Deus.

Ali no Todo. Burroughs, Ginsberg, Jesus, Buda, Deus, Eu, Vc nada e tudo. Dizendo e desdizendo, se entrelaçando em cada coisa e depois morrendo se for para morrer

E vivendo o ser e não ser a mesma coisa. Não é para ser compreendido o universo e a loucura. É o futuro e é o presente em todas as dimensões.

Por que é que existe a grande revelação se a gente continua na merda?

Enquanto vc quiser saber vc não vai descobrir, pois está no existir.
E vc fica puto, xinga a eternidade e cai e rola
E arranca a sua própria perna
Espalha seu sangue e odeia, mas transa e soca sem nunca compreender nada
Como lesmas de óculos
Somos nós.

Pobres pessoas perdidas.
E que se foda
Mas disseram não.
Lute liberte respire e morra.
Triste e sem sentido numa telepatia universal
e nós aqui sem saber falar e existir

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Começo/Fim

Começo
Fim

Começo do Começo
Fim do Começo
Começo do Fim
Fim do Fim

Começo do Começo do Começo
Fim do Começo do Começo
Começo do Fim do Começo
Fim do Fim do Começo
Começo do Começo do Fim
Fim do Começo do Fim
Começo do Fim do Fim
Fim do Fim do Fim

Começo do Começo do Começo do Começo
Fim do Começo do Começo do Começo
...

domingo, 29 de agosto de 2010

Bichos

Somos bichos. Bichos que andam em pé. Bichos que se acham importantes e sabem chorar. Bichos que constroem coisas, mas acima de tudo isso somos bichos. Comemos, cagamos, nos reproduzimos e morremos. A Inteligência é um embuste, é um engano, um acaso. É como ter penas. Nos distingue dos outros bichos, mas não é nada demais.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Entre uma e outra

As pessoas são loucas. Insanamente loucas. Insuportavelmente loucas. Loucas! Loucas! Loucas! Mas sejamos justos, nós também somos. Somos chatos, egoístas, maníacos loucos pelo nada e por coisa alguma. Todos se sentem ofendidos. Todos querem diferenciar o ser e o não ser. Eles são algo e não são outra coisa. Ser ou não ser é importante para caralho!! Mas ser o que? Ninguém sabe o que é e tem raiva de quem sabe. Malditos humanos. Por que tive que nascer numa raça tão miserável? Uma raça que não se digna a ser escrota e nem opta por ser sábia. É uma incrível merda de meio termo. Nós olhamos e não nos decidimos. Temos raiva de quem se decidiu. Quem optou por odiar era um idiota e quem optou por amar se fudeu. Se nós amamos algo logo surge outra coisa para ser amada. Outro ser putrefato em agonia querendo ser amado. Nós nos rendemos de novo e de novo e de novo. Nos rendemos a tudo e a nada. Por que? Por que não escolhemos? Nós sabemos por que não escolhemos. Por que se escolhermos ganharemos responsabilidades. Quem suporta as responsabilidades? Elas são muitas, muitas, muitas, muitas... Eu me canso de escrever e elas continuam surgindo e me esmagando. Até esse próprio texto que era só um desabafo ameaça me engolir. Como o próprio maleus nefandorum do mundo. O livro que nos ensina a ser maléficos. Um texto pérfido, mas que sempre nos perseguem. Dizem que se você aceito o livro do maleus nafandorum você nunca mais poderá se livrar dele. Se você jogá-lo pela janela ele estará na sua frente. Se você queimá-lo no dia seguinte ele estará inteiro em cima da lareira. Se você fugir ele estará lá. No banco ao seu lado, na sua mochila, na sua mesa... O livro está sempre lá pedindo para ser lido. E se você lê... Você morre. Você passa a ser um monstro, tudo o que há de ruim. Sim... Aquilo está lá. Pronto para inverter seu avatar. Pronto para transformá-lo em tudo o que você odeia. O amor se torna ódio depois das teias do livro. Como vencê-lo? Como escapar de nossa maldição de comedores de infernos? Comemos outros seres vivos. Eles são humanos, os outros seres vivos são humanos, isso nos exaspera! Queríamos que eles não fossem humanos. Queríamos que eles fossem nada. Queríamos que eles fossem coisa alguma. Queríamos que eles fossem agulhas, meros instrumentos. Queríamos que eles servissem para costurar e pronto. FIM. Não podemos costurar com outros seres vivos. Então queremos matá-los. E come-los. Queremos que sejam nossa carne. Nossos braços e escravos. Pó e vento... É isso que a humanidade quer. Ela quer isso de si própria, mas heroicamente ela resiste. Resiste ao seu ímpeto louco e inevitável de auto destruição. Resiste com coragem, bravura e insânia. Insânia, pois quem ataca é ela mesma. Um golpe do corpo contra o próprio corpo. Como um louco que se auto mutila. *Só a violência pode parar a violência. É isso que essa história conta. Dois povos se odiando. Como isso é possível? Digam-me sábios e gênios: Como pode a humanidade se odiar? É normal. Ódio é normal. Todos sabemos disso. Odiamos e nos refestelamos na lama de nossos sentimentos. Porque não há como fugir deles. Caralho, como eu me detesto. Isso não seria tanto problema se eu fosse o único. Mas todos nós nos detestamos. Todos querem matar uns aos outros! PQ!!!!????? Chega! Não agüento mais este ciclo. Não agüento mais essa escrita. O ponto é... Dividimos as tribos. Tem os que nós entendemos e os que nós não entendemos. Vou me expressar melhor. Tem os que nós nos importamos e os que não nos importamos. Quando a humanidade fez isso. Ela passou a odiar todos os seres vivos. Passou a odiar a própria vida. Pois separar em ser e não ser é o fim. Um fim lento e pavoroso, mas definitivamente é um fim.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Cuidado! Alguém pode descobrir que você não é normal. Como os normais se comportam? Não sabemos muito bem. Tem algo haver com ficar calado ou falar banalidades, não sabemos ao certo. É difícil saber como os normais se comportam porque ninguém é muito normal. Tem o grupo dos anormais, mas os anormais também se julgam muito. Vai que um deles está fingindo ser anormal, mas na verdade é normal? Isso seria um absurdo. Então precisamos ser anormais... digo normais. Os normais tem um padrão muito rígido. Acho que a norma para ser um bom padrão é que ninguém goste de segui-la completamente. Deve ter algo haver com isso. Não sei ao certo, não fui eu que inventei as regras. Eu só fui processado pela sociedade. Processado por ter nascido. Dizem que eu furei algumas regras. Nunca sei quais regras são para serem furadas e quais não são. Acho que tentaram me explicar durante anos, mas tenho certeza que a explicação não fazia sentido. Será que devo me esconder? Não, é melhor não. Os culpados se escondem, mas também não posso me mostrar. Claro, todo o que se mostra precisa ser julgado e de preferência condenado. Será que podemos rir de tudo isso. As pessoas riem? Às vezes, mas isso não quer dizer que elas te aliviaram do processo. Elas podem no máximo arquivar as suas acusações temporariamente, por uma semana ou algumas horas até voltarem a confabular. Consigo acreditar que estou livre às vezes, mas então escuto boatos e preciso me esconder novamente ou me mostrar, nunca sei ao certo. É difícil. Não é um jogo para ter vencedores. Só há perdedores e competidores, nunca vencedores. Os vencedores estão sempre longe do máximo e quando chegam ao máximo eles têm algo de errado. São humanos demais para serem perfeitos. Eles erram e deixam de ser perfeitos, ninguém quer um vencedor perfeito. Exceto, é claro, se for para derrubá-lo de mais alto. Alguém queria estar satisfeito com pouco e disse que o mundo estava correto, mas quem entende o mundo para dizer que ele está correto? Agora mesmo escondi o que quero fazer. Não se ganha dinheiro pelo que se quer fazer. Quem vai te pagar para falar a verdade? Eles estão certos que a verdade não existe. Exceto quando eles é que estão falando. Tenho medo do mundo, mas o mundo tem medo de mim. Será que isso nos deixa em pé de igualdade? Às vezes penso que o mundo não existe e todos ficam bravos. Se eu pensar e não falar talvez eles não reparem e aí estarei igual a todos. É isso. Pensar e não falar. Ser e não ser a mesma coisa. O mundo tem um estranho tipo de duplipensar, mas não fale isso. Você está errado. Está sempre errado, pois ninguém pode estar certo. Cuidado com as pessoas que acham que estão certas. Elas normalmente fazem merda e odeiam as outras. Talvez eu ache que estou certo, mas afinal de contas qual o grande problema nisso? Não sei direito, mas se eu perguntar falarão coisas sem sentido. Ninguém sabe porra nenhuma e tem medo de admitir isso. Se você admite que não sabe porra nenhuma é ridicularizado, se você diz que ninguém sabe porra nenhuma te chamam de louco, perigoso ou inútil ou sei lá mais do que. Ninguém gosta de outra pessoa dizendo que você não sabe de porra nenhuma especialmente se for verdade. É melhor ficar quieto. Escrever mais devagar, pois eles podem estar vigiando. Eu não sei quem eles são, isso não é um problema. Eles também não sabem quem eles são. Acho que ninguém sabe. Se alguém souber deve ser ridicularizado ou ignorado. Não podemos deixar essa anarquia crescer. Não sei direito que anarquia. Sei que ela está por aí dentro de cada misero cérebro. Cérebros guardados por Cérberos de outros cérebros. Está tudo dominado, mas não havia nada para se dominar. Os humanos são loucos e acreditam em outros humanos loucos que se dizem sãos. É mentira, deveria ser mentira, seria mentira se a verdade não tivesse virado mentira no segundo tempo. O time adversário esta ganhando. Ninguém sabe direito onde o time adversário está. Deve ser por isso que ele está ganhando. Só que eu não acredito em times adversários, talvez isso me atrapalhe a ajudar o meu time. Só que eu ainda não sei em que time estou. Meu time me olha com desprezo. Talvez eu próprio seja do time adversário e não saiba. Será que não seria melhor o time adversário vencer? Não! Claro que não. Toque, chute e brigue. Morra, mas não dixe o time adversário ganhar. Seja lá o que ele for.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

invenções

Então eles criaram um mundo e o mundo caiu sobre eles. Teria sido uma piada se não fosse tão trágico. Agonizando e gritando sobre suas próprias invenções. Inertes com tanto peso resolveram se matar um pouco. O sangue quente aquece sensivelmente o frio mórbido do mundo. Seria até divertido se seus corpos não fedessem tanto. No fundo eles se amam, só não acharam a arma própria para demonstrar isso.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Análise pragmática da vida

Introdução: As três pedras

Caíram três pedras. Não vi nenhuma delas. Não sei porque acredito nelas. Disseram-me que elas existiam, mas disseram-me também que elas não existiam, então não sei porque acredito nelas. Talvez eu não acredite. Deve ser isso. Esqueçam as pedras

Parte1,2 e Fim

Era tudo uma confusão. Não sei se na época eu chamava de confusão, pois não conhecia a ordem para comparar. Então um homem que dizem que eu devo querer matar e uma mulher que dizem que eu devo querer casar me convencerem que existia alguma coisa ali. Na hora pareceu uma boa idéia. Então surgiram muitas pessoas vindas da confusão e todas acreditavam que a confusão era uma coisa que elas entendiam a maior parte do tempo. Já comecei estranhando essas pessoas porque elas acreditavam em tempo. O que viria depois? Papai Noel e Coelhinho da Páscoa? Procurei pessoas mais espertas mesmo desconfiando que pessoas não existiam. As pessoas espertas eram estranhas, elas não respeitavam muito a confusão. Passei a fingir que a confusão importava. Ninguém gostava muito da maneira que eu tratava a confusão. Eu fingia que a confusão era simples enquanto todos gostam de fingir que ela é complicada. Acho que eu só conseguia fingir que a confusão era simples porque eu sabia que estava fingindo me importar com ela. As pessoas não sabem que estão fingindo e então complicam tudo porque tudo parece importante. Para mim muito pouco era importante. Então resolvi fingir que era tudo complicado também, mas me sinto mais idiota do que nunca. Não sei muito bem o que fazer agora. A maior parte do tempo continuo fingindo, mas na verdade foda-se

Propostas

Voar, reencarnar e dormir

terça-feira, 29 de junho de 2010

Deusa do nada

Talvez a morte seja nossa única e verdadeira Deusa. Tudo o que nós fazemos é por medo dela. Criamos Deuses, magia, arte e palavras. Corremos e nos reproduzimos para tentar vencê-la, mas ela vem sempre comendo tudo que um dia existiu. Temos tanto medo dela que mentimos e fingimos que nada nunca muda. E ela vem galopando e devorando tudo o que existe. Tudo vai ficando escuro e nós continuamos dizendo que está tudo igual. Nosso medo nos domina e começamos a murmurar. Não adianta gritar, os animais gritam e não dá certo, eles também morrem. Nos achamos melhores que animais e inventamos coisas. Chamamos essas coisas de eternas e nos achamos melhor do que os animais. E no final tudo será comido pelo nada. Não haverá pessoas para lembrar de tudo nunca. Vamos morrer. Talvez já tenhamos morrido, mas nosso medo é tão grande que atiramos uns nos outros. Matamos-nos para não morrermos. Nossas obras espetaculares são mais importantes que nossos corpos. Melhor um homem morto que um sonho morto. Melhor um homem morto que uma alucinação morta. Melhor um homem morto que uma mentira morta. Melhor um homem morto. Morto.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Mentira que inventamos

As pessoas querem viver em conjunto, mas odeiam viver em conjunto. Elas querem o que os outros dão, mas não que os outros existam. Existências alheias são chatas. Exceto se puderem ser moldadas. Ninguém gosta da mentira que inventamos, mas pelo menos ela esconde a verdade. Alguns até esqueceram que tem uma verdade de tão preocupados com a mentira. Tem uma verdade. As pessoas se odeiam. Para podermos viver assim temos que nos odiar. É impossível ser tão injusto e indiferente sem odiar algo. A verdade esta aí, mas ninguém quer ouvir. É melhor mentirmos mais para tentar nos enganar. Não esta dando certo. Somos conhecidos pela insistência. Se tudo dá errado nós justificamos com uma lógica maluca e vamos em frente. Quando nos dizem que está tudo errado apresentamos a nossa lógica maluca. Nos chamam de malucos e ficamos irritados. Dizem que está tudo dando errado, mas ninguém tem coragem ou poder para negar a lógica maluca. Como podemos parar de ser idiotas se acreditamos na lógica maluca. O que é mais engraçado ou trágico, nunca sei ao certo, é que a lógica maluca é irrefutável. Todos acharam que poderiam derrotá-la, mas não podem. Sistemas argumentativos podem ser perfeitos quando quiserem. É só não escutarem mais ninguém e eles se tornam irrefutáveis. Dizem que existe um sistema e se você desobedecê-lo você está errado. Você pergunta por que e te dizem que você já o está desobedecendo. Desobedecendo ao que? Mas aí você já foi julgado e condenado porque falou demais. Queriam nos queimar, mas já faziam isso na idade média. As pessoas não ficaram muito mais criativas, só tem mais instrumentos para fazerem as mesmas merdas de sempre.

domingo, 20 de junho de 2010

Os humanos o humano

O dia começa a amanhecer. E eles começam a aparecer. No início são poucos, mas em breve eles tomam as ruas da cidade. São os humanos correndo para os seus dias malucos. Eles andam olhando para frente ou para baixo. Sempre orgulhosos ou tristes às vezes orgulhosos e tristes. Eles se acumulam em torno dos sinais fechados e nas filas de elevador, mas não por muito tempo. Em breve eles têm que voltar a correr. Suas ruas estão sujas e gastas, mas eles precisam correr. Acham-se donos da cidade e de si mesmos. O dia passa no seu ritmo entre maiores e menores corridas. Então o Sol vai ficando sonolento e os homens começam a fugir. Conforme as ruas vão ficando desertas os verdadeiros donos das cidades vão surgindo. As pequenas criaturas frutas dos pesadelos e dos erros começam a caminhar atraídas pela escuridão. São baratas e ratos os verdadeiros habitantes daquelas ruas. Os humanos não conhecem as ruas como as suas contrapartes noturnas, pois os humanos só vêm trabalhar e fugir das ruas centrais. Os seres noturnos moram naquelas ruas, reparam em cada detalhe nascem, crescem se reproduzem e morrem naquelas ruas. Os humanos os desprezam, pois sabem que eles são os verdadeiros donos de suas terras de concreto. Criaturas muito mais antigas que a mais brilhante filosofia e o mais primitivo raciocínio de nossos cérebros ultrapassados.
As pequenas criaturas do medo assustam os humanos por dois motivos. Antes de tempos ancestrais elas já se banqueteavam com tudo que o homem desprezava. Uma fruta meio comida, uma carne apodrecida são deliciosos manjares para os esses seres da noite. Isso já desagrada o homem classificador que quer tudo hierarquizar. O homem quer estar no topo e sua mente se contorce de pensar que seres ancestrais possam se maravilhar com o que lhe causa asco. Os humanos querem que seus irmãos ratos e baratas sejam inferiores e infelizes, mas como botá-los nessa categoria se os humanos próprios não são felizes e se seus irmão mais velhos existem em número tão maior? Isso nos assusta, mas não é nada que não podemos ignorar como tanto o mais. O que nos assusta é que a despeito de comerem tudo o que jogamos fora, eles também não se incomodariam de comer o que temos. Um iogurte no lixo pode ser um prêmio para a barata, mas o que não seria um iogurte inteiro?
Nós moramos em casas bem fechadas com trancas, muros e de preferência com outros humanos fazendo guarda. Mesmo assim um serzinho noturno vem voando e se rastejando, entre canos e frestas, tubos e lixos até a segurança do nosso lar. Eles querem fazer ninho em nossas casas e se possível comer nossa comida ou nossos lábios. Revoltamos-nos é claro. Pegamos substâncias de morte, sapatos e terrores para espantá-los tendo muitas vezes sucesso. Mas sabemos que eles querem voltar. Que estão por aí os verdadeiros donos da cidade.
Esses pequenos seres que aumentam diante de nossa visão embotada de sentimentos pavorosos são frutos de nossa própria desgraça. Eles sempre existiram disso ninguém duvida, pois Noé lhes guardou na arca. Só que esses seres tenebrosos foram os únicos sobreviventes de nossa cidade, os outros frágeis animais não resistiram e nem resistiriam ao nosso ódio concretante por tudo o que há de natural. Por que justo as baratas e os ratos sobreviveram de tantos animais? Não sabemos, mas é certo que odiaríamos o que quer que tivesse sobrado. Os animais não nos obedecem o suficiente para viver em nossas cidades sem vigiarmos de perto, só os humanos tem tal peculiaridade. Não se iluda que no centro nevrálgico de nossas maravilhosas urbes um cão vadio pudesse sobreviver sem uma mão para lhe guiar. Cães vira-latas resistem somente em subúrbios onde algum terreno baldio sem utilidade pode lhes abrigar. Na cidade eles morreriam de fome ou comidos pelos ratos. O mesmo pode ser dito de gatos, macacos e tantas aves.
Na noite citadina, enquanto os homens dormem e os pesadelos passeiam pelas ruas, um ser sem nome dorme em bafo etílico. Dizem que ele é homem, mas ele talvez seja um pouco mais vivido para tão banal definição. Ele não pode comer o que comemos, não pode andar onde andamos, não pode entrar onde entramos. Se pensarmos com clareza veremos que ninguém lhe chama homem, mas sim mendigo. Dorme entre os pequenos pesadelos de baratas e ratos cosmopolitas.

domingo, 30 de maio de 2010

Corretor almofadinha maldito

O corretor de texto do word é um almofadinha ignorante. Ele despreza todos os palavrões. Não tem nem "fudeu" na porra do corretor. E fudeu é a palavra mais comum do universo. Não tem caralho, não tem porra não tem nada. Parece que sexo não existe para essa droga desse pudico corretor. E como se isso não bastasse ele também não conhece ninguém que presta. Escreve Bukowski no corretor. Ele vai sublinhar em vermelho afirmando, de sua maneira, que essa palavra não deve existir. Afinal de contas quem lê Bukowski? Escreve Kerouac, Neal Cassady, Ginsberg,... nada disso o corretor conhece. Você acredita que está tudo bem. O corretor não conhece nomes, deve ser isso. Mas não é! Escreve Descartes! Ele sabe escrever Descartes! Essa porra desse nome francês bitolado ele conhece, mas de arte e liberdade não tem nada. Sem sexo, sem palavrão, sem arte... Não poderia ficar pior!! Mas ainda é muuuito pior! O corretor reclama de todas as suas onomatopéias e todos os seus neologismos! Como alguém pode ser tão contra a arte??!!? Nadad de sons na escrita, nada de palavras novas. Se dependesse do corretor a arte seria trancafiada em seus malditos vermelhos sublinhados. Não!!! Ainda é pior!! O corretor acha que a porra do word precisa ser escrito com letra maiúscula. E isso está na parte de auto-correção. É isso mesmo ele automaticamente se acha um nome próprio. Ele se acha o bom e fica ressaltando seu próprio programa. Maldito! Em breve quando escrevermos Bill Gates ele vai auto-corrigir para Senhor Bill Gates ou vossa excelentíssima excelência senhor Bil Gates. Porra! Morte ao corretor almofadinha.